Veste o saial de lã grosseira, estreito,
cinge aos rins um cordel, e sobre o peito
do hábito estampado,
traz o cálix doirado, a hóstia pura,
em memória da sua grã ternura
ao Sacramento amado.
Toma o bordão de peregrino e segue...
(para que ao infeliz um dia legue
um patrimônio Santo,
é preciso seguir...) longe dos lares
ele irá sem ter mágoas, sem pesares,
por enxugar o pranto!
Longos meses levou o peregrino
seguindo pelo sul o seu destino,
longes terras trilhando;
pedindo esmolas, dando a uns — conforto,
alimentos a este, ao enfermo, ao morto
piedoso velando.
Assim extensas terras percorrendo,
como Jesus, opróbrios mil sofrendo
humilde, paciente,
retribuía com suas bênçãos santas
pedindo ao Céu perdão e graças tantas
para o povo inclemente!
E o Céu ouviu seus rogos de piedade...
apesar da penosa enfermidade
que a jornada lhe dera,
antes de um ano regressou contente
à sua terra natal co’a suficiente
quantidade que colhera.
E do Menino-Deus junto à Capela
que sobre verde outeiro alva e singela
já lá se via enfim,
os alicerces d’edifício novo
robustos se levantam, enquanto o povo
bendiz — o Irmão Joaquim!