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1854–1932

IV

Delminda Silveira de Sousa

Veste o saial de lã grosseira, estreito, cinge aos rins um cordel, e sobre o peito do hábito estampado, traz o cálix doirado, a hóstia pura,

em memória da sua grã ternura ao Sacramento amado. Toma o bordão de peregrino e segue... (para que ao infeliz um dia legue

um patrimônio Santo, é preciso seguir...) longe dos lares ele irá sem ter mágoas, sem pesares, por enxugar o pranto!

Longos meses levou o peregrino seguindo pelo sul o seu destino, longes terras trilhando; pedindo esmolas, dando a uns — conforto,

alimentos a este, ao enfermo, ao morto piedoso velando. Assim extensas terras percorrendo, como Jesus, opróbrios mil sofrendo

humilde, paciente, retribuía com suas bênçãos santas pedindo ao Céu perdão e graças tantas para o povo inclemente!

E o Céu ouviu seus rogos de piedade... apesar da penosa enfermidade que a jornada lhe dera, antes de um ano regressou contente

à sua terra natal co’a suficiente quantidade que colhera. E do Menino-Deus junto à Capela que sobre verde outeiro alva e singela

já lá se via enfim, os alicerces d’edifício novo robustos se levantam, enquanto o povo bendiz — o Irmão Joaquim!

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IV · Delminda Silveira de Sousa · Poetry Cove