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1854–1932

IV

Delminda Silveira de Sousa

Brando luar derrama o alvor de prata da murta em flor por entre a ramaria; da noite a viração suave e grata doces preces de amor além colhia.

Lá, na avenida que o luar prateia, branca visão errante, suspirosa, por entre a murta em flor triste vagueia, a murmurar — um nome —, carinhosa.

“Ah Rogério!... Onde estás? Caminha a noite, e tu não voltas no luar sereno! Meu Deus!... desfolha a flor do vento o açoite, caem orvalhos sobre o prado ameno!”

Ao longe, ao longe uma canção de amores a brisa envolve dúlcida, saudosa; e a viração, por entre a murta em flores, doce nome repete, suspirosa.

“Alda! Alda!... eis-me aqui! Que noite linda! Que luar! Que perfumes! Que harmonia!... — Trago-te n’alma o amor que nunca finda, trago as saudades de um bem longo dia!...”

E plácido luar por entre a murta em flores, e a brisa a perfumar da noite a amenidade, ouvem o divinal poema dos amores no mais gostoso beijo, — o beijo da saudade!

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