Brando luar derrama o alvor de prata
da murta em flor por entre a ramaria;
da noite a viração suave e grata
doces preces de amor além colhia.
Lá, na avenida que o luar prateia,
branca visão errante, suspirosa,
por entre a murta em flor triste vagueia,
a murmurar — um nome —, carinhosa.
“Ah Rogério!... Onde estás? Caminha a noite,
e tu não voltas no luar sereno!
Meu Deus!... desfolha a flor do vento o açoite,
caem orvalhos sobre o prado ameno!”
Ao longe, ao longe uma canção de amores
a brisa envolve dúlcida, saudosa;
e a viração, por entre a murta em flores,
doce nome repete, suspirosa.
“Alda! Alda!... eis-me aqui! Que noite linda!
Que luar! Que perfumes! Que harmonia!...
— Trago-te n’alma o amor que nunca finda,
trago as saudades de um bem longo dia!...”
E plácido luar por entre a murta em flores,
e a brisa a perfumar da noite a amenidade,
ouvem o divinal poema dos amores
no mais gostoso beijo, — o beijo da saudade!