Um dia, quando as lizes da inocência
cingiam ainda minha fronte pura,
no aconchego da dúlcida ventura
do anjo bom, — meu guia na existência,
— “minha mãe, eu lhe disse na cadência
desta frase tão cheia de ternura:
— eu sonhei que a uma pobre criatura
dera o meu pão, pensara-lhe a indigência”.
Então ela, beijando-me e sorrindo,
como cercada dum reflexo lindo,
exclama: — Oh, filha cara! — eis a verdade:
— diz-me o teu sonho que a tu’alma é bela;
e que bem viva desabrocha nela
uma flor qu’eu plantei — a Caridade!