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1854–1932

INÉDITO

Delminda Silveira de Sousa

Quando a estrela da manhã, alta, subia, Reluzindo e fremente como um guiso, Três almas se encontraram tiritando, À porta sideral do Paraíso,

E a primeira bateu. E havia Um altivo desdém no seu gesto de mando. — “Quem bate?” docemente perguntaram. — “Um rei que foi na terra poderoso!”

— “Que sementes divinas espalharam As tuas mãos?” Batalhas! Valoroso “Venci e conquistei cidades e países!”

“E a porta de oiro muda, inviolada, Como si tivesse raízes, Fulgindo e cintilando radiosa, Permaneceu fechada”

E a segunda bateu. E a voz harmoniosa De novo perguntou: — “Quem bate?” — “Um sábio que viveu a meditar. E longos anos passou no duro embate

Do saber. E envelheceu para criar.” E a porta de oiro muda, inviolada, Cintilando e fulgindo como um astro, Continuou fechada!

E a terceira bateu. E a mesma voz: — “Quem bate?” — Serena e doce interrogou. — Um poeta que sempre andou de rastro Pela vida e que a vida maltratou!

— “Que fizeste na terra?” — “Eu? Amei! E o meu amor, em versos, semeei!” Por toda a esfera azul um canto se expandiu.

Então fúlgida, resplandecente, Rodando nos seus gonzos, lentamente, A porta de oiro se abriu!

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