Apenas d’ouro e rosas
as brancas nuvens mimosas
do Céu aurora tingia,
já no Templo do Senhor,
cheio de santo fervor
o pio jovem se via;
e de quantas flores puras
cheias de aroma e frescura,
ele os altares enchia!...
E já o ofício divino
com gravidade, com tino
corretamente ajudava;
depois, ao lar não voltando,
nem alimentos tomando,
pois que aos pobres visitava,
lhes levando a doce esmola
que a todo o infeliz consola,
a todo o enfermo tratava.
Se alguém no leito de morte
esperava o duro corte
no transe atroz d’agonia,
lá indo o pastor das almas,
o Crucifixo, as palmas,
as bentas velas já via,
que o filho da Caridade,
primeiro, aceso com piedade,
ao moribundo acudia.
E nesse exercício santo,
oh! quantas vezes, no entanto,
o dia inteiro passava,
sem que de si se lembrasse,
sem que alimento tomasse,
que o Céu somente o ocupava!
De um — irmão — a alma aflita
queria vê-la contrita
subir à Paz que aspirava!
Um dia o Varão virtuoso,
Concebeu plano grandioso,
Digno de su’alma nobre:
— edificar um asilo
onde houvesse tudo aquilo
que o conforto traz ao pobre,
onde o infeliz, onde o enfermo
encontrasse o alívio, o termo
à dor que a miséria cobre.
Mas onde esmolas pedir?
como a soma adquirir
para essa edificação?...
A sua terra natal
era bela sem igual,
porém pobre, que mais, não!
Mas o alenta a Fé bendita,
A Caridade infinita
A Esperança, a Oração...