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1854–1932

III

Delminda Silveira de Sousa

Apenas d’ouro e rosas as brancas nuvens mimosas do Céu aurora tingia, já no Templo do Senhor,

cheio de santo fervor o pio jovem se via; e de quantas flores puras cheias de aroma e frescura,

ele os altares enchia!... E já o ofício divino com gravidade, com tino corretamente ajudava;

depois, ao lar não voltando, nem alimentos tomando, pois que aos pobres visitava, lhes levando a doce esmola

que a todo o infeliz consola, a todo o enfermo tratava. Se alguém no leito de morte esperava o duro corte

no transe atroz d’agonia, lá indo o pastor das almas, o Crucifixo, as palmas, as bentas velas já via,

que o filho da Caridade, primeiro, aceso com piedade, ao moribundo acudia. E nesse exercício santo,

oh! quantas vezes, no entanto, o dia inteiro passava, sem que de si se lembrasse, sem que alimento tomasse,

que o Céu somente o ocupava! De um — irmão — a alma aflita queria vê-la contrita subir à Paz que aspirava!

Um dia o Varão virtuoso, Concebeu plano grandioso, Digno de su’alma nobre: — edificar um asilo

onde houvesse tudo aquilo que o conforto traz ao pobre, onde o infeliz, onde o enfermo encontrasse o alívio, o termo

à dor que a miséria cobre. Mas onde esmolas pedir? como a soma adquirir para essa edificação?...

A sua terra natal era bela sem igual, porém pobre, que mais, não! Mas o alenta a Fé bendita,

A Caridade infinita A Esperança, a Oração...

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