Que tristes ecos doridos
Fazem a Pátria chorar!
Goivos e louros unidos
Vejo-a em coroas enlaçar!
Ali — um túmulo erguido...
Um nome, — um nome esculpido
Em letras d’ ouro, fulgura:
Tiradentes! — diz o vento
Beijando saudoso, lento,
Do cipreste a rama escura.
Tiradentes! — Quem foi esse,
Cujo nome traz saudade?
Cuja glória resplandece
Como o sol na imensidade!
— Foi um herói brasileiro,
E foi o mártir primeiro
Que à Liberdade esposou!
Foi uma Luz... uma ideia...
Mais que uma grande epopeia
Seu nome à Pátria legou!
Foi o sonhador augusto
D’uma sublime ventura;
D’um ideal nobre e justo,
Morreu, na fé santa e pura!
Morreu! — mas, vencendo a morte,
Desse ideal grande e forte
Um gérmen santo deixou:
E um dia, após, gloriosa,
Da Liberdade formosa
A verde planta brotou.
Cresceu... Cresceu opulenta,
Bela árvore florida
Que agora nos apresenta
Frutos mil de glória e vida!
E o nome do Tiradentes,
Entre brilhos resplendentes,
Da Pátria lembrado é
Nas áureas laudas da História,
Como uma brilhante glória,
Como um exemplo de fé!
Ante o herói da Liberdade,
Ante esse mártir bendito,
Curve-se a posteridade,
Subam cantos ao Infinito!
Inteiro o mundo o proclame,
E cada peito o aclame,
Em pátrios hinos ferventes,
Que nesta data grandiosa
Celebra a Pátria saudosa
A glória do Tiradentes!