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1854–1932

II

Delminda Silveira de Sousa

Crescia o cândido infante, como cresce o lírio puro; porém pelo seu futuro receio havia constante.

A sete anos fazer o menino era chegado, sem nunca haver pronunciado uma palavra sequer!

Mas o Céu lhe outorga um dia da fala o dom precioso; eis que, em breve, venturoso ganha o que perdido havia!

Agora com novo alento ei-lo ao estudo votado; mas sempre ao Céu adorado fugia o seu pensamento!

As horas que lhe restavam dos labores da lição, na mais santa ocupação, todas, todas se passavam.

Cheio de pura alegria, levantava altares santos, entoando doces cantos à Santa Virgem Maria.

E naquele santo culto, se destacava entre flores, como um anjo entre esplendores o seu angélico vulto.

E a Virgem meiga sorria com sorrir que a alma afaga, que ao novo Luiz Gonzaga por prêmio o Céu prometia!

Só doze anos contava o piedoso menino, e já seu pai um destino profissional lhe dava.

Como seu auxiliar no negócio que geria, o jovem filho queria, queria-o cedo empregar.

Ah! como triste lhe fora aquela entrada no mundo! Como do peito ao fundo Su’alma sentida chora!

Pensava que desde então de tudo o que mais queria impiedoso o afastaria aquele duro balcão!

Porém su’alma constante no constante pensamento, a Virgem do Livramento procurava confiante.

E a meiga Caridade que nele um apóstolo tinha — anjo de amor — sempre vinha guiá-lo à doce piedade!

Era dela tão zeloso tão fiel discípulo seu, que só neste fogo ardeu o seu coração piedoso.

Coração que a santa chama tão docemente abrasava quando ao mendigo entregava a roupa, o pão té a cama!

Se a voz do sino, no entanto, ouvia o povo chamar convidando-o a acompanhar o Sacramento mais santo,

no grande amor que votava àquele Deus tão clemente, tudo esquecia e contente pressuroso o acompanhava.

Nem sol, nem chuva, nem frio, nem dores de enfermidade, nem noites de tempestades, nem o inverno, nem o estio,

na doce prática pura do terço à Virgem Maria, embaraçar algum dia puderam sua ternura!

Seu pai convencido atina que do filho o ideal era de Deus Imortal propagar a sã doutrina;

e dá-lhe, alfim, liberdade de seguir a vocação que o seu pio coração amava com tal lealdade.

Que pura e santa alegria sentia o jovem piedoso, neste dia venturoso, neste belo e grato dia!

Seu primeiro pensamento foi erigir, no seu lar, em Oratório — um altar à Virgem do Livramento!

Da família o honrado nome pelo cognome santo troca, a mostrar quanto, quanto da Virgem ama o renome;

e — Livramento —, de então, foi o apelido glorioso que tomou, — fiel esposo de sua bela devoção!

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