Crescia o cândido infante, como cresce o lírio puro; porém pelo seu futuro receio havia constante.
A sete anos fazer o menino era chegado, sem nunca haver pronunciado uma palavra sequer!
Mas o Céu lhe outorga um dia da fala o dom precioso; eis que, em breve, venturoso ganha o que perdido havia!
Agora com novo alento ei-lo ao estudo votado; mas sempre ao Céu adorado fugia o seu pensamento!
As horas que lhe restavam dos labores da lição, na mais santa ocupação, todas, todas se passavam.
Cheio de pura alegria, levantava altares santos, entoando doces cantos à Santa Virgem Maria.
E naquele santo culto, se destacava entre flores, como um anjo entre esplendores o seu angélico vulto.
E a Virgem meiga sorria com sorrir que a alma afaga, que ao novo Luiz Gonzaga por prêmio o Céu prometia!
Só doze anos contava o piedoso menino, e já seu pai um destino profissional lhe dava.
Como seu auxiliar no negócio que geria, o jovem filho queria, queria-o cedo empregar.
Ah! como triste lhe fora aquela entrada no mundo! Como do peito ao fundo Su’alma sentida chora!
Pensava que desde então de tudo o que mais queria impiedoso o afastaria aquele duro balcão!
Porém su’alma constante no constante pensamento, a Virgem do Livramento procurava confiante.
E a meiga Caridade que nele um apóstolo tinha — anjo de amor — sempre vinha guiá-lo à doce piedade!
Era dela tão zeloso tão fiel discípulo seu, que só neste fogo ardeu o seu coração piedoso.
Coração que a santa chama tão docemente abrasava quando ao mendigo entregava a roupa, o pão té a cama!
Se a voz do sino, no entanto, ouvia o povo chamar convidando-o a acompanhar o Sacramento mais santo,
no grande amor que votava àquele Deus tão clemente, tudo esquecia e contente pressuroso o acompanhava.
Nem sol, nem chuva, nem frio, nem dores de enfermidade, nem noites de tempestades, nem o inverno, nem o estio,
na doce prática pura do terço à Virgem Maria, embaraçar algum dia puderam sua ternura!
Seu pai convencido atina que do filho o ideal era de Deus Imortal propagar a sã doutrina;
e dá-lhe, alfim, liberdade de seguir a vocação que o seu pio coração amava com tal lealdade.
Que pura e santa alegria sentia o jovem piedoso, neste dia venturoso, neste belo e grato dia!
Seu primeiro pensamento foi erigir, no seu lar, em Oratório — um altar à Virgem do Livramento!
Da família o honrado nome pelo cognome santo troca, a mostrar quanto, quanto da Virgem ama o renome;
e — Livramento —, de então, foi o apelido glorioso que tomou, — fiel esposo de sua bela devoção!
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