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1854–1932

II

Delminda Silveira de Sousa

Para o ginete... a crina erriça, arqueia o dorso, os cães procuram... farejam, latem, tremem, avançam, ao antro chegam... não se aventuram!

— Ali — na mata, sombria, densa, oculto espreita jaguar temível! Milhar de vezes caça lhe deram, porém — vencê-lo, fora impossível!

De pé na relva o caçador ardis inventa para o ferir; prestes a arma hábil aponta, o tiro parte... que atroz rugir!

O rei da selva — jaguar temível, vacila, brame de raiva e dor; a selva toda treme, reboa ao longe o eco de tanto horror.

A verde relva dobra açoitada do sangue ardente que a enrubeceu; e, lá, ferido, o monstro irado busca, rugindo, quem o ofendeu.

Mas como sombra que desparece, brenhas rompendo, sem mágoa ou dor, fugindo à morte que o segue, horrenda, já vai distante — o caçador...

Cego de fúrias, o rei da selva, que a bruta força sente esgotar-se, não olha abismos, não vê tropeços, só busca — sangue p’ra saciar-se!

Súbito estaca! Treme, soltando medonho arranco da morte início; após, exangue, lá entre as sarças, cai sobre a beira do precipício!

E n’agonia convulsa, extrema, ei-lo rolando do abismo ao fundo! O rei da selva — jaguar temível, alfim, descansa lá no profundo!

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