Para o ginete... a crina erriça,
arqueia o dorso, os cães procuram...
farejam, latem, tremem, avançam,
ao antro chegam... não se aventuram!
— Ali — na mata, sombria, densa,
oculto espreita jaguar temível!
Milhar de vezes caça lhe deram,
porém — vencê-lo, fora impossível!
De pé na relva o caçador
ardis inventa para o ferir;
prestes a arma hábil aponta,
o tiro parte... que atroz rugir!
O rei da selva — jaguar temível,
vacila, brame de raiva e dor;
a selva toda treme, reboa
ao longe o eco de tanto horror.
A verde relva dobra açoitada
do sangue ardente que a enrubeceu;
e, lá, ferido, o monstro irado
busca, rugindo, quem o ofendeu.
Mas como sombra que desparece,
brenhas rompendo, sem mágoa ou dor,
fugindo à morte que o segue, horrenda,
já vai distante — o caçador...
Cego de fúrias, o rei da selva,
que a bruta força sente esgotar-se,
não olha abismos, não vê tropeços,
só busca — sangue p’ra saciar-se!
Súbito estaca! Treme, soltando
medonho arranco da morte início;
após, exangue, lá entre as sarças,
cai sobre a beira do precipício!
E n’agonia convulsa, extrema,
ei-lo rolando do abismo ao fundo!
O rei da selva — jaguar temível,
alfim, descansa lá no profundo!