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1854–1932

I

Delminda Silveira de Sousa

Morria a tarde, as auras suspiravam, Do vosso amor relendo as frases caras, Eu vi que minhas lágrimas amaras Da tua letra os traços apagavam.

Desses despojos tristes que restavam Das flores que em tu’alma cultivaras, Juntei as pétalas delicadas, raras, Que as chamas logo em cinza transformaram.

E desci ao jardim; mais que outras flores Vi saudades sem fim, junto de amores, Por entre espinhos dum rosal sem rosas. Aí, da terra nas entranhas frias,

Eu misturei o pó das alegrias Aos germens das saudades carinhosas.

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I · Delminda Silveira de Sousa · Poetry Cove