Um dia a vi: era visão formosa!
Tinha o doce palor das açucenas,
trazia sobre a fronte radiosa,
a estrela d’alva das manhãs serenas.
Foi nas horas d’encanto, horas amenas
da minha leda infância descuidosa,
qu’eu a vi; vejo-a sempre; agora, apenas,
é mais triste essa imagem vaporosa...
Vem, no meu leito, em noites de martírios,
vestida de cetim dos brancos lírios,
em debruçar-se meiga, — anjo bendito! —
e a mão de neve pousa no meu peito,
como a quebrar de um sonho mau o efeito,
como a saudar-me o coração aflito!