É tão tarde... oh, meu Deus! e tu não voltas!
onde estás, meu Rogério muito amado?
As estrelas recamam o Céu da noite,
o vento geme triste... e tu não vens!
Era apenas manhã quando partiste;
— vou-me, disseste, à caça na Floresta.
Alda, não temas, meu amor, espera,
que eu volverei antes que o sol se esconda.
Quando a tarde estender pelo horizonte
do íris multicor as cintas lindas,
e os bogaris daquelas moitas verdes
mais doce aroma a trescalar comecem...
nos teus lábios vermelhos como o cravo
que o perfume mais grato exala agora,
eu sorverei o mais gostoso beijo,
— o beijo incomparável da saudade!
Assim falaste, e no abraço longo,
e beijando-me os olhos já chorosos,
— adeus por um instante, repetiste,
sim, meu amor, até à tarde... adeus!
E partiste. Do outeiro lá bem longe,
a poucos passos da floresta escura,
volvendo-te, agitaste o lenço branco
que esvoaçava como pomba errante.
Assim Alda gemia, solitária,
fitos os olhos na floresta escura,
aonde os pirilampos já brilhavam,
como as estrelas pelo Céu da noite.
E no magoado coração — receios,
com saudades de amor — vivos abrindo,
quais orvalhos das pétalas da rosa
iam-lhe em puras lágrimas caindo.