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1854–1932

I

Delminda Silveira de Sousa

É tão tarde... oh, meu Deus! e tu não voltas! onde estás, meu Rogério muito amado? As estrelas recamam o Céu da noite, o vento geme triste... e tu não vens!

Era apenas manhã quando partiste; — vou-me, disseste, à caça na Floresta. Alda, não temas, meu amor, espera, que eu volverei antes que o sol se esconda.

Quando a tarde estender pelo horizonte do íris multicor as cintas lindas, e os bogaris daquelas moitas verdes mais doce aroma a trescalar comecem...

nos teus lábios vermelhos como o cravo que o perfume mais grato exala agora, eu sorverei o mais gostoso beijo, — o beijo incomparável da saudade!

Assim falaste, e no abraço longo, e beijando-me os olhos já chorosos, — adeus por um instante, repetiste, sim, meu amor, até à tarde... adeus!

E partiste. Do outeiro lá bem longe, a poucos passos da floresta escura, volvendo-te, agitaste o lenço branco que esvoaçava como pomba errante.

Assim Alda gemia, solitária, fitos os olhos na floresta escura, aonde os pirilampos já brilhavam, como as estrelas pelo Céu da noite.

E no magoado coração — receios, com saudades de amor — vivos abrindo, quais orvalhos das pétalas da rosa iam-lhe em puras lágrimas caindo.

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