Morria a tarde, as auras suspiravam,
do nosso amor relendo as frases caras,
eu vi que minhas lágrimas amaras
da tua letra os traços apagavam.
Desses despojos tristes que restavam
das flores que em tua alma cultivaras,
juntei as pet’las delicadas, raras,
que as chamas logo em cinza transformavam.
E desci ao jardim; mais que outras flores,
saudades vi sem fim junto de amores,
por entre espinhos dum rosal sem rosas.
Aí, da terra nas entranhas frias
eu misturei o pó das alegrias
aos germens das saudades carinhosas.