Meia-noite! lá distante soam trombetas romanas... um galo canta vibrante além, além das choupanas.
A Natureza desperta em cantos, aromas, luz! Como num brado de “alerta!” dizendo: — nasceu Jesus!
E descem anjos cantando Glória a Deus e paz à terra — e os ecos voam levando o canto que a nova encerra.
Por entre as choças do val soava doce harmonia... uma ilusão, um ideal, pensa o pastor: — que seria?...
Um sonho?... Não! que, despertos já todos caminham além; d’alto mistério vão certos, vendo a luz que dos Céus vem.
Um anjo formoso desce, vestido de branco e luz; e como o assombro lhes cresce, diz-lhes: — paz! Nasceu Jesus!
E todos, todos seguiam glória a Jesus! repetindo. Já do presépio se ouviam hinos celestes, infindos.
A Virgem Maria junto aos seios o divo Filho aquecia; agora não tem receios... entre anjos, que os teria?...
Jesus sereno adormece. Ela o deita, docemente sobre o feno que parece um feixe d’oiro esplendente!
Depois... um beijo divino, beijo de Mãe toda amor, na fronte do Deus-Menino imprime com enlevo e ardor.
Jesus sorriu; — uma estrela lá no Oriente assomou; era a estrela d’alva: — aquela que um sorrir de Deus criou!
Quem sabe?... a mesma seria que, após, co’a celeste luz serviu aos magos de guia até o berço de Jesus!
Oh! Santo fanal da Fé! Noss’alma guia também por esses vales, até a Sede do Sumo Bem!
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