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1854–1932

GLORIA IN EXCELSIS DEO

Delminda Silveira de Sousa

Meia-noite! lá distante soam trombetas romanas... um galo canta vibrante além, além das choupanas.

A Natureza desperta em cantos, aromas, luz! Como num brado de “alerta!” dizendo: — nasceu Jesus!

E descem anjos cantando Glória a Deus e paz à terra — e os ecos voam levando o canto que a nova encerra.

Por entre as choças do val soava doce harmonia... uma ilusão, um ideal, pensa o pastor: — que seria?...

Um sonho?... Não! que, despertos já todos caminham além; d’alto mistério vão certos, vendo a luz que dos Céus vem.

Um anjo formoso desce, vestido de branco e luz; e como o assombro lhes cresce, diz-lhes: — paz! Nasceu Jesus!

E todos, todos seguiam glória a Jesus! repetindo. Já do presépio se ouviam hinos celestes, infindos.

A Virgem Maria junto aos seios o divo Filho aquecia; agora não tem receios... entre anjos, que os teria?...

Jesus sereno adormece. Ela o deita, docemente sobre o feno que parece um feixe d’oiro esplendente!

Depois... um beijo divino, beijo de Mãe toda amor, na fronte do Deus-Menino imprime com enlevo e ardor.

Jesus sorriu; — uma estrela lá no Oriente assomou; era a estrela d’alva: — aquela que um sorrir de Deus criou!

Quem sabe?... a mesma seria que, após, co’a celeste luz serviu aos magos de guia até o berço de Jesus!

Oh! Santo fanal da Fé! Noss’alma guia também por esses vales, até a Sede do Sumo Bem!

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