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1854–1932

GEADAS...

Delminda Silveira de Sousa

Qu’espesso manto, branco, gelado, cobre os outeiros, a serrania;

e pelos campos e pelo prado, como um sudário, longo se amplia!

Verdes pastagens, lindas, outrora, como tapetes aveludados,

míseros, tristes, mostram-se agora, nuas, despidas, dos seus gramados.

Aos duros tratos, rudos, abruptos, os cafezais choram lembranças

das níveas flores, dos rubros frutos, doces esp’ranças. As tenras, novas,

viçosas canas, pendem, mirradas... Oh! desventura! Com verdes palmas

crescendo, ufanas, murchas agora sem ter doçura!... E os rios gelam...

Morrem os peixes, morrem as aves, morrem as flores!... Do flavo trigo

dourados feixes, quando hão de tê-los os segadores? As áureas flores

do algodoeiro, que a branca felpa no seio têm, quando há de vê-las

o fazendeiro, nos verdes ramos brilhar, também? Não terão pasto

mansas ovelhas, que os vastos campos não têm verdores; em balde, em balde,

destras abelhas por esses prados buscarão flores! Morrem de frio

as criancinhas sem terem pano para vestir; sem lã, sem leite

das ovelhinhas, que desconfortos hão de sentir!... Deus de piedade!

Deus de clemência, Olhai da terra essa tristeza! Da Primavera

c’oa florescência, cobri d’encantos a Natureza! E as novas flores,

os passarinhos e as criancinhas vos bendirão; pelas devesas,

pelos caminhos, hinos cantando de gratidão!

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