Um dia, quando as lises da inocência
Cingiam ainda minha fronte pura,
Nesse conchego doce da ternura
dum anjo bom, meu guia na existência:
— “Minha mãe!” eu lhe disse na cadência
dessa frase tão cheia de doçura;
“eu sonhei que a uma pobre criatura
dera o meu pão, pensara-lhe a indigência...”
Então ela beijando-me e sorrindo,
como cercado dum reflexo lindo,
exclama: “oh! filha cara, eis a verdade:
Diz-me o teu sonho que a tu’ alma é bela,
e que bem cedo desabrocha nela
uma flor que eu plantei: a Caridade!”