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1854–1932

FINADOS

Delminda Silveira de Sousa

Dobram os sinos... Quanta tristeza Quanta saudade vinda do Além!... Até parece que a Natureza De pura mágoa chora também!

Caem dos ares, lá derramadas, Lágrimas tristes por sobre a terra; Pérolas d’alma cristalizadas Enchem o campo, cobrem a terra.

Quem sabe? — almas, que Além partiram, Neste momento lá chorarão?... Outras que em vida dores curtiram, A paz eterna já fruirão?...

Cobrem-se os campos de tantas flores... Lágrimas correm por tantos lares Abrem saudades que avivam amores... Morrem sorrisos, nascem pesares...

E as almas idas pedem aos vivos Por sobre as campas deixem cair Dos rosários os lenitivos Que — Ave-Maria lhes faz sentir!

Aos Céus piedosos todos mandemos Preces ungidas de fé bendita; Murcham as flores... mas nós teremos Nas flores d’alma vida infinita!

Dobram os sinos... Quanta tristeza! Quantas saudades, vindas do Além!... Até parece que a Natureza De pura mágoa chora também!

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