A Virgem orava; n’alma que palpita,
uma ideia dos Céus terna vagueia;
Súbito, a estância doce luz clareia
como o luar d’abóbada infinita.
Celestial visão que agora fita
Em nuvem d’ouro que brilhante ondeia,
— “Ave! lhe diz, ó tu de graça cheia,
entre as mulheres, oh! mulher bendita!”
E quando o mensageiro lhe anuncia
que, — dela ao mundo, um Salvador viria,
tremeu... turbou-se em virginal rubor;
mas ouvindo — de Deus ser a Verdade,
ser seu Filho humanada a Divindade —,
— Faça-se, — disse, o Verbo do Senhor!