Meigo Jesus, quando no Horto oravas,
quando o cálix das mágoas esgotavas
perante o Céu, qu’a tua angústia vê,
no padecer daquelas agonias,
à humanidade ingrata tu dizias,
tu lhe dizias: — Crê!
E quando por algozes arrastado,
dos espinhos agudos coroado,
ias, seguindo a turba ignóbil, fera,
os teus olhos magoados levantando
àquele Céu, que assim te vê passando,
Tu dizias: — Espera!
Depois, na Cruz, entre facinorosos,
Baixando os meigos olhos piedosos,
Alma abrasada por celeste chama,
Pedindo aos Céus perdão à humanidade,
Ensinavas a doce Caridade:
Tu lhe dizias: — Ama!