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1854–1932

ESCUTA

Delminda Silveira de Sousa

“É tarde! é tarde!” — me volveste ainda, — Francina ingrata qual geada fria —, tporque o Céu de tua existência linda velou-te a nuvem da tormenta, um dia!

Mas passa a nuvem da tormenta escura, lágrimas muitas derramando, oh, sim! E a estrela Vésper mais serena e pura no Céu rebrilha desnudada alfim!

É tarde! é tarde!... mas a tarde é bela!... Os lírios abrem do crepúsc’lo à luz, e a alma ele na canção singela mais doces preces ao sopé da Cruz!

E tu não sentes ao dorido peito um doce alívio serenar tu’alma? É o bendito, salutar efeito do olhar de Deus que nossa dor acalma!

Morrer desejas!... sabes tu que sorte espera a alma que sem fé viveu?... Sonhaste acaso si ao depois da morte terá a triste e doce paz do Céu?...

Luz imortal que vence horrenda treva!... Si alguém no mundo do teu pranto zomba eu, não, decerto! — que é sagrada a dor! E o triste pranto que dos olhos tomba

batismo d’alma que conhece amor! Daquele Mário que de ti graceja, oh, sim! — de amor a confissão não queiras! É borboleta jovial que adeja,

tem lindas asas, mas sutis, ligeiras... Oh! nunca aceites o amor de Mário! É falso! é ímpio a insultar-te a dor! — Há no teu peito um coração sacrário —

talvez dos sonhos d’infeliz amor... Por isso sofro de te ver chorosa, e às vezes choro de pesar também... Francina ingrata mais que agreste rosa

que só espinhos despiedados tem! A ti — descrida — que te importa o pranto qu’em per’las corre de minh’alma crente?... Si o não aceitas — vê que é puro e santo

doce consolo que a minh’alma sente! Ai! só desejas que eu te esqueça... ingrata! Pois bem! — jamais perguntarei por ti, senão à onda que o luar retrata,

senão à rola que gemendo ouvi! —

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