Ei-lo! caminha... as longas ruas
do sacrossanto sangue regando!
Ei-lo, caminha... que duras puas
a fronte bela lhe vão rasgando!
qu’espinhos duros, meus Deus! que’espinhos
lhe tecem a c’roa das aflições!
Ele que dera tantos carinhos,
tão salutares consolações...
Que é dos amigos fiéis d’outrora?
respeito, afetos, amor, cuidados?...
Ai! mil tormentos em cada hora!
Ai! mil algozes desapiedados!...
A Cruz que aos ombros dócil levava,
com peso tanto, já lhos feriu;
a luz dos olhos que a dor turbava,
falta um momento... Jesus caiu!
A turba louca, na fúria insana,
pragueja horrenda, os punhos cerra
porém... quem sabe? que graça emana
dos lábios dEle beijando a terra!...
Ouve um gemido, os olhos volve...
A Mãe dorida ali depara!
Almas piedosas o olhar envolve,
consolo triste! Dor mais amara!
“Oh! não choreis! terno murmura,
assim, por mim, oh! não choreis
que só por vós, nesta amargura,
por vossos filhos chorar deveis!”
E além, caminha, as longas ruas
do sacrossanto sangue regando!
que fundas mágoas, que duras puras
o peito amante lhe vão rasgando...