Dezenove de Abril! infausto dia em que se apagou a luz de sua vida, como o raio da tarde esmorecida no regaço da noite escura e fria!
Bem formoso, no entanto, o sol brilhava, era o Céu tão azul... tão verde o prado... e eu tinha o coração dilacerado, e a minh’alma negra dor trajava!...
Quadro horrível d’acérrima agonia, — o pranto e o luto à dor entrelaçados a meus olhos em lágrimas banhados eis tudo quanto a morte oferecia!...
Ai! quanto eu sinto funda a mágoa intensa desta dor que me enluta a triste vida, ao pesar de uma mãe terna e querida a irreparável perda, a falta imensa!...
Ela era a luz que os passos meus guiava, era a flor que a meus olhos aprazia, era o afeto mais doce que eu sentia, era o mais santo amor que me alentava!...
Dos meigos olhos seus o doce brilho, de ver tão cedo extinto, eu não cuidava! E essa voz que no lar tudo alegrava não mais ouvir-se a consolar o filho!...
Consolo n’aflição, na dita — encanto, su’alma, claro espelho, refletia as nossas aflições, noss’alegria, nos ledos risos, no sensível pranto!
Tesouros de ternura e amor, seguro, guardava em seu materno coração, como a rosa no púrpuro botão o mais doce perfume, o mel mais puro!
Mas, ah!... qual meiga flor que na doçura do grato aroma seu remonta aos Céus, su’alma terna alou-se para Deus do maternal amor na essência pura!
Lá, na Excelsa Mansão da Eterna Vida, onde ecoam suspiros da orfandade, aceita, nos perfumes da saudade, o triste pranto meu, oh, mãe querida!...
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