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1854–1932

Deus!

Delminda Silveira de Sousa

Do sol no resplendor, da lua na beleza, nos brilhos da manhã, no lindo azul dos Céus, de vésper no fulgor, da tarde na tristeza minh’alma s’extasia e louva e adora — Deus!

Nas flores do vergel, no viço das campinas, da fonte no cristal, das águas no frescor, no val’, nos alcantis, nos plainos e colinas, eu vejo, eu admiro o sábio Criador!

Nos ecos do trovão, do raio na vidência, dos mares ao bramir no horror do vendaval, minh’alma reconhece a Excelsa Onipotência, e vê do Santo Amor o influxo paternal!

Lá geme o infeliz no transe d’agonia, fitando o baço olhar no Cristo sofredor; nos olhos em que a luz já frouxa s’extinguia brilhou sublime a Fé de Deus no grande Amor!

No colo maternal sorri mimoso infante, — borboleta gentil que sobre a flor descansa; ali — se mostra Deus! formoso e radiante da mãe no santo amor, no riso da criança.

Expande a magnólia ativo e grato aroma, brilha a espiga gentil na linda florescência, e numa e noutra flor que no vergel assoma, oh! como se revela a sábia Providência!

Em tudo quanto há belo, em tudo o que é sublime, neste orbe que recria a luz dos olhos meus, minh’alma s’extasia, adora, e louva e exprime num cântico de amor o grande Amor de Deus!

Oh, Deus que a tenra flor saúde ao desbrochar e a ave bendiz nos cantos que desprende, no val’ do pranto e dor não deixes vacilar a fé que no meu peito o teu amor acende!

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