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1854–1932

CARIDADE INFANTIL

Delminda Silveira de Sousa

Pela estrada caminhava Um pobre velho mendigo Triste, sem pão, sem abrigo, Oh! que amarguras provava!

Como a lã da branca ovelha Eram brancos seus cabelos, Seus olhos, outrora belos, Da luz já perdem a centelha.

Quase cego, dos caminhos Mal vê abrolhos no chão; Mas dentro do coração Bem sente agudos espinhos!

E lentamente seguia Ao seu bordão arrimado, Quando bem perto, espantado, Vozes ouviu de alegria.

Era um bando de crianças Que da escola já voltavam, E à frente dele cantavam, Com ginásticas e danças.

Quis afastar-se o velhinho Tateando com o bordão; Porém, tropeça, e no chão Cai de bruços, pobrezinho.

Mil gargalhadas formando Uma infernal gargalhada. Da turba desapiedada, Vai nos ares reboando!

Eis que do grupo impiedoso Um menino, — alma sublime, Ao triste que a dor oprime Estende a mão caridosa:

“Levantai-vos, pobre amigo! Disse, e a meu braço encostado, Levar-vos-ei, amparado, De caridade a um abrigo.”

Os companheiros que viam Tão bela ação, comovidos, Vêm, um a um, recolhidos, E ao bom colega auxiliam.

Chorando, ergueu-se o mendigo, Chorando de gratidão, Que achou no mundo um irmão E amigos mil, num amigo.

No meio da criançada, A destra o velho estendendo, E os olhos sem luz erguendo Do céu à cúpula anilada,

Assim fala: “Oh, filhos meus! Como uma graça infinita Sobre vós desça, bendita, Do céu a bênção de Deus!”

“Eu me vou ao meu destino Bem consolado, é verdade, Pois achei a caridade, No coração dum menino!”

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