No rosal do meu vergel
fez seu ninho o beija-flor;
— os lírios davam-lhe mel,
— as rosas davam-lhe amor.
Quando a aurora se acordava
no seu bercinho doirado,
e as lindas rosas tirava
do cabelo desatado,
no brando ninho mimoso
acordava o beija-flor,
e bebia o mel gostoso,
e dava o beijo de amor.
Abriam botões de rosa
como lábios de criança;
na verde planta mimosa
abriam lírios d’esperança.
E dentro do ninho brando,
por sobre flocos de paina,
pousava de quando em quando
terno amor em doce faina.
No coração pequenino
da maternal avezita,
também o afeto divino,
o amor materno — palpita!
E lá, quais níveos botões
das flores dos laranjais,
guardavam dois corações
os dois ovinhos iguais.
Um dia a aurora sorriu,
a Primavera chegava!
O sol mil rosas abriu,
O sol que o ninho beijava!
Depois... que ternos pipilos
do ninho sobem aos Céus!
As aves vinham de ouvi-los,
e os levavam até Deus!
Era o hino da inocência,
era a homenagem do amor,
bendizendo a Providência,
exalçando o Criador!