Quanto fel, quantas lágrimas encheram aquele amargo cálix que esgotaste na hora da tristura! Do santo Arcanjo as puras mãos tremeram...
mas Tu, Ó Cristo! — aos lábios teus chegaste a taça d’amargura! Oh! quanta dor, meu Deus, então vertestes no Sacrário puríssimo que abria
teu santo Coração! A fronte divinal ao chão pendeste e os acerbos tormentos d’agonia começaram então!
Oh! Mãe! Ó terra Mãe! — tu’alma pura mais que a branca cecém, não mais na terra mimos do Céu terá; ai! sensitiva d’eternal brancura,
como este seio que amor tanto encerra tal dor suportará?! Já do Calvário na espinhosa senda, da Cruz, d’opróbrio e dores magoado
caminha o filho seu; Vozeia a multidão blasfema, — horrenda, e o Sacro-Santo Mártir fatigado o doce olhar volveu.
Oh! transe doloroso!... A Mãe piedosa, por entre a fera turba angustiada, triste divisa, aflita; na desmaiada face lacrimosa
mostrando a pura alma amargurada que de amor só palpita! Braveja a multidão... o Mártir santo prossegue no caminho d’amargura
de dor dilacerado; Ai! Triste Mãe! — no teu pudico manto esconde a face lacrimosa e pura e chora o filho amado!
Flor redimida, ó terna Madalena, que no sublime amor regeneraste teu langue coração, Vem consolar a mística Açucena
C’o a pura voz que a Jesus rogaste o amor e o perdão! Lá chega alfim ao descalvado monte a vítima inocente aparelhada
aos martírios da cruz; d’espinhos lacerada a pura fronte, a alma d’amargores trespassada, dos olhos frouxa a luz.
Esmoreceu d’horror a luz divina! Pelo vil pecador foi imolada a Hóstia do perdão! E como diva Rosa peregrina
do sacro Sangue de Jesus regada brotou a Redenção! Quanto fel, quantas lágrimas encheram aquele amargo cálix qu’esgotaste
na hora do amargor! d’assombro Céus e terra estremeceram, mas tu, ó Cristo! — um mundo resgataste Com teu Divino Amor.
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