De branco e azul como as flores,
ó meiga Elvira, te vestes;
amas acaso estas cores,
por serem cores celestes?
Olhando o Céu da manhã
tu viste a vagar talvez
a branca nuvem louçã
que em pranto, além se desfez;
E amaste as mimosas cores
da nuvem, do puro Céu;
como germinam amores
tão castos no seio teu!
Tu és, mimosa donzela,
nas trevas densas do mundo,
a branca rosa singela
no val’escuro e profundo.
Também a Virgem Celeste,
meiga Flor da Judeia,
de azul e branco se veste,
nas graças divinas cheia!
É azul o mar ondeante
coberto d’alvas espumas;
azul o monte distante,
sob um véu de finas brumas.
Quando recordo as saudosas
tardes minhas lá do Sul,
eu sempre as vejo, formosas,
envoltas num véu de azul!
E por isso amo também
a doce e pura harmonia
das duas cores que têm
tanta beleza e poesia!
Ai! bem me lembro o carinho
com que a mãe que eu tanto amava,
o meu branco vestidinho
de fita azul enfeitava!...
Eu era criança ainda
E não conhecia o pranto;
minha mãe... (saudade infinda!)
tu eras meu doce encanto!
Oh! mais que tu, meiga Elvira,
Eu amo estas duas cores,
cuja lembrança m’inspira
saudade dos meus amores!