Tu, doce amor, só tu, nos dás a vida;
nossas mágoas cruéis, só tu minoras;
tu dás à face as rosas das auroras,
tu acendes no olhar a luz perdida!
Quando o tormento mais cruel trucida
a um pobre coração nas negras horas,
e quando, oh! alma, desolada choras,
as longas noites a velar, sentida,
— Coração, alma, vida de penas,
vós o sabeis: — quanto consolo, quanto,
traz o remédio que este mal serena! —
Um carinho... um desvelo... um beijo é tanto,
que, se ao martírio a sorte me condena,
— quero a dor como bálsamo tão santo!