De vestido branco todo rendilhado,
Na toquinha branca fita roxa atada,
Vai a pequenita d’avozinha ao lado,
Ambas vão contentes pela longa estrada.
Tem, talvez, três anos a pequena linda,
É rosada e loura como um querubim;
Tem da fresca rosa toda graça, ainda,
Tem candura e mimos como dum jasmim.
Vai cantando agora como um passarinho,
Da linguagem, meiga nada percebi;
Mas avó qu’escuta causas de carinho
A netinha olhando, bem feliz sorri.
Que prazer divino, que prazer tão santo
O sorriso dela docemente exprime!...
— Coração materno revivendo ao encanto
Dum passado grato, dum amor sublime.
Como mãe ditosa duas vezes, santa,
A velhinha sente bem no fundo d’alma,
Desbrocharem vivas, desse amor que a encanta,
Mil saudades lindas na viçosa palma.
Da morada à porta ei-las reunidas
Em bendito grupo ternas afeições:
Duas mães ditosas, duas filhas queridas,
E a netinha, o anjo das consolações.
Numa nuvem d’ouro vai o sol entrando,
Todo o poente brilha d’esplendor cercado;
E a Mão divina vejo abençoando
Esse lindo grupo pelo amor formado!