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1854–1932

AVÓ E NETA

Delminda Silveira de Sousa

De vestido branco todo rendilhado, Na toquinha branca fita roxa atada, Vai a pequenita d’avozinha ao lado, Ambas vão contentes pela longa estrada.

Tem, talvez, três anos a pequena linda, É rosada e loura como um querubim; Tem da fresca rosa toda graça, ainda, Tem candura e mimos como dum jasmim.

Vai cantando agora como um passarinho, Da linguagem, meiga nada percebi; Mas avó qu’escuta causas de carinho A netinha olhando, bem feliz sorri.

Que prazer divino, que prazer tão santo O sorriso dela docemente exprime!... — Coração materno revivendo ao encanto Dum passado grato, dum amor sublime.

Como mãe ditosa duas vezes, santa, A velhinha sente bem no fundo d’alma, Desbrocharem vivas, desse amor que a encanta, Mil saudades lindas na viçosa palma.

Da morada à porta ei-las reunidas Em bendito grupo ternas afeições: Duas mães ditosas, duas filhas queridas, E a netinha, o anjo das consolações.

Numa nuvem d’ouro vai o sol entrando, Todo o poente brilha d’esplendor cercado; E a Mão divina vejo abençoando Esse lindo grupo pelo amor formado!

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