O sol tomba no oceano purpurino...
Vem, mistério da tarde, vem dos Céus!
Dá-me o teu doce bálsamo, ó saudade,
rosas, abri-vos ao sorrir de Deus!
Mistério doce no cantar das aves!
Segredos puros no rumor dos mares!
Preces sagradas no suspiro flébil
do viajor ao recordar os lares!
— Amor e crença! — Nesta hora santa,
como em noss’alma vossas chamas crescem!
Se a saudade nos traz da terra — espinhos,
quantas flores do Céu na esp’rança descem!...
Silêncio, ó Natureza! Vem dos lírios
no grato incenso preces mais singelas;
a voz do sino — Ave-Maria soa,
os anjos pelo Céu esparzem estrelas.
Ave-Maria! — no silêncio augusto
que faz a Natureza, na harmonia
da Terra e Céus, minh’alma cismadora
prosternada repete: — Ave-Maria!