Voltam do trabalho: Como vêm contentes
Risos inocentes, vozes d’alegria!
— Bando d’avezinhas, vinde pelos ares,
ei-las, voltam aos lares quase — Ave-Maria.
Todo o dia, todo, desde o albor d’aurora!
Quando o céu colora purpurina cor,
deixam o casto leito, deixam o sonho lindo,
e lá vão sorrindo com sorrir de flor.
São laboriosas quais abelhas quando
doce mel buscando pelas flores vão;
elas, do trabalho no sagrado horto
buscam almo conforto, buscam honroso pão.
Pela tarde volvem; como vêm coradas!
vem, talvez cansadas do trabalho rude.
Como são formosas com tão vivas cores,
pobres lindas Flores!... — Flores da virtude!
Trajam pobremente, vêm de branco ou rosa
ou da cor mimosa que reveste o Céu.
Umas, d’escarlate como a flor da vida,
todas têm vestida a alma d’alvo véu.
Todas vêm risonhas, de cestinha ao braço;
nem um simples laço nos cabelos têm,
mas o diadema da virtude encanta
co’a beleza santa que dos Céus lhe vem!
Lá, no lar querido umas têm carinhos,
têm, dos irmãozinhos o sorriso, a fala;
esta, a doce bênção de uma mãe singela
que de a ver tão bela leda vai beijá-la.
Nessa hora grata, desce do Infinito,
meigo olhar bendito cheio de ternura;
é o olhar da Virgem que o Universo envolve,
bênção que absolve toda criatura!