— Mamãe, a nuvem rosada
Que eu vejo, tão delicada,
Como um leve e fino véu,
Será a faixa esquecida,
E pelos ares perdida,
D’alguma santa do céu?
E quando o sol vem subindo
Lá do Levante, tão lindo,
Pelo céu todo anilado,
Aquela nuvem de ouro
Será do sol o tesouro
Pelos ares derramado?
— Não, filha, essa cor de rosa,
E do ouro a cor mimosa
Que tingem as nuvens do céu,
Foi do sol a luz divina
Que beijando a nuvem fina
D’ouro ou rosa a cor lhe deu.
Nuvens — são leves vapores
Que têm do íris as cores
Ao nascer e ao pôr do sol;
Porém nos dias chuvosos
Elas são véus lutuosos,
Não tem o céu arrebol.
Nimbos — as nuvens se chamam
Que lá dos ares derramam
As chuvas que à terra vêm,
São negras ou pardacentas,
São as nuvens das tormentas,
Elas só água contêm.
— Oh! mamãe, já sei agora
Porque tem a linda aurora
Nuvens de ouro e de rosa;
E sei que a nuvem sombria
Só chuva nos anuncia,
É nuvem tempestuosa.