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1854–1932

AS NUVENS

Delminda Silveira de Sousa

— Mamãe, a nuvem rosada Que eu vejo, tão delicada, Como um leve e fino véu, Será a faixa esquecida,

E pelos ares perdida, D’alguma santa do céu? E quando o sol vem subindo Lá do Levante, tão lindo,

Pelo céu todo anilado, Aquela nuvem de ouro Será do sol o tesouro Pelos ares derramado?

— Não, filha, essa cor de rosa, E do ouro a cor mimosa Que tingem as nuvens do céu, Foi do sol a luz divina

Que beijando a nuvem fina D’ouro ou rosa a cor lhe deu. Nuvens — são leves vapores Que têm do íris as cores

Ao nascer e ao pôr do sol; Porém nos dias chuvosos Elas são véus lutuosos, Não tem o céu arrebol.

Nimbos — as nuvens se chamam Que lá dos ares derramam As chuvas que à terra vêm, São negras ou pardacentas,

São as nuvens das tormentas, Elas só água contêm. — Oh! mamãe, já sei agora Porque tem a linda aurora

Nuvens de ouro e de rosa; E sei que a nuvem sombria Só chuva nos anuncia, É nuvem tempestuosa.

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