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1854–1932

Arroubos

Delminda Silveira de Sousa

O laranjal de flores branqueado Delicioso abrigo me oferece; Nessa gentil capela de noivado Esqueço o mundo que de mim se esquece,

Escuto a voz de carinhosa prece... Refrigerante ar passa aromado, Num brilho d’ ouro a mata resplandece, São canções de amor, o sol é nado.

Na paz da solidão, à hora amiga, Nesse mistério que meu ser abriga Da fantasia nos doirados véus, Minh’alma ascende ao plácido Infinito,

E no enlevo dum sonhar bendito, Perto, mais perto sinto-me de Deus.

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