Como vens tão formosa, oh! lua bela,
serena, pelo azul da imensidade,
qual ave branca na lagoa mansa!
Assim, acompanhada de uma estrela,
ó lua, me recordas a saudade
seguida da esperança!
Agora teu palor não m’entristece
como outras vezes que no Céu te vi
e dor cruel não me deixou sorrir-te.
Como estás longe, entanto!... Ah! se pudesse
a minh’alma voar até junto a ti,
como essa estrela — n’amplidão seguir-te...
Do Céu sereno pelo azul infindo
errante iria est’alma tão saudosa,
olhando o mundo, ao teu clarão, d’altura;
e, quem sabe?... n’algum recanto lindo,
como em Oásis fonte preciosa,
não acharia eu minha ventura?...
Ai! segue n’amplidão, formosa lua,
minh’alma te acompanha num suspiro;
és sempre a mesma, aqui ou noutro Céu:
Vamos pois: que esta luz mágica, tua,
me mostre além o plácido retiro
onde a minha ventura s’escondeu!