Bem sei, ó mar, bem sei porque suspiras,
Assim, às vezes, tão saudoso e brando,
E porque, vezes outras, rebramando,
Em nívea espuma teu furor atiras.
— Louco! — louco infeliz aceso em iras,
Tântalo és à dura Terra amando,
Que a fria areia, em vão, sempre beijando,
Ora de raiva, ora de Amor deliras!
Não sabes tu que um dia, quando Deus
A Luz criou, o vasto Mundo e os Céus,
Quis, da porção terráquea, separar-te?
E o sol fecundo a Terra desposou
Numa efusão que o Eterno abençoou
— A esposa doutro rei não pode amar-te!