Volvera a quadra das mimosas flores,
o mar, de amores, murmurava endechas,
a brisa meiga a suspirar galerna
da rola terna soletrava as queixas.
Eu disse à onda que gemia triste:
— em que consiste tua acerba dor?
E a onda triste se quebrou morrendo,
E foi dizendo brandamente — Amor!
Eu disse à brisa das auroras ledas:
— tu, que segredas nos vergéis em flor?
e a brisa meiga suspirou passando
e murmurando docemente — Amor!
Eu disse à rola que carpia aflita:
— de que desdita te consome a dor?
e a rola aflita, soluçando ainda,
na mágoa infinda, repetiu: — Amor!
Após, meu peito suspirou sentido,
Num ai dorido, de profundo horror,
e eu disse n’alma que a tristeza oprime
— que mágoa exprime essa palavra — Amor!
Volvera a quadra das mimosas flores,
volvem amores ao universo inteiro,
só de minh’alma as ilusões queridas
foram perdidas qual sonhar fagueiro!