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1854–1932

Amor

Delminda Silveira de Sousa

Volvera a quadra das mimosas flores, o mar, de amores, murmurava endechas, a brisa meiga a suspirar galerna da rola terna soletrava as queixas.

Eu disse à onda que gemia triste: — em que consiste tua acerba dor? E a onda triste se quebrou morrendo, E foi dizendo brandamente — Amor!

Eu disse à brisa das auroras ledas: — tu, que segredas nos vergéis em flor? e a brisa meiga suspirou passando e murmurando docemente — Amor!

Eu disse à rola que carpia aflita: — de que desdita te consome a dor? e a rola aflita, soluçando ainda, na mágoa infinda, repetiu: — Amor!

Após, meu peito suspirou sentido, Num ai dorido, de profundo horror, e eu disse n’alma que a tristeza oprime — que mágoa exprime essa palavra — Amor!

Volvera a quadra das mimosas flores, volvem amores ao universo inteiro, só de minh’alma as ilusões queridas foram perdidas qual sonhar fagueiro!

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Amor · Delminda Silveira de Sousa · Poetry Cove