Vida! — o que és tu?... na quadra da inocência,
para uns, — és manhã aurirrosada;
para outros — aurora rorejada
d’ orvalhos de uma noite de inclemência.
Quando desponta o sol da adolescência
e abre do amor a rosa perfumada,
vida, — tu és uma ilusão dourada,
ou és da realidade a amarga essência!
Noite de luar de dúlcida saudade,
ou de horror densa treva entristecida,
tu és, ó vida, na postrema idade...
Mas, sejas alva triste, ou florescida,
dia, noite de dor ou felicidade,
tu — do mortal és sempre a cruz — ó vida!