Vem, vem comigo olhar o céu formoso,
agora que a tristeza é doce e meiga.
Não ouves? — rumoreja carinhoso
mais brando o vento a perpassar na Veiga?...
Oh! como é lindo o azul da imensidade
através deste véu que se distende!
Caem lágrimas puras de saudade
de cada fria dobra que desprende!
Os bogaris de per’las rorejados
abrem cheirosas na gentil verdura;
e lá no mar — de flóculos nevados...
abre-se um lírio em cada onda pura!
Ai! também na minh’alma abrem-se flores...
— Saudades e suspiros — tantos, tantos,
que tomam em doce mel os amargores
do copioso orvalho de meus prantos!
Porém que importam mágoas e delírio
si a saudade nos é tão grata à alma?
si em cada ai evola-se um martírio
e em cada lembrança a dor se acalma?!
Vem, vem comigo olhar o céu formoso,
e agora que a tristeza é doce e meiga;
vem escutar, do sabiá saudoso
o terno canto no rosal da Veiga!