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1854–1932

À TARDE

Delminda Silveira de Sousa

Vem, vem comigo olhar o céu formoso, agora que a tristeza é doce e meiga. Não ouves? — rumoreja carinhoso mais brando o vento a perpassar na Veiga?...

Oh! como é lindo o azul da imensidade através deste véu que se distende! Caem lágrimas puras de saudade de cada fria dobra que desprende!

Os bogaris de per’las rorejados abrem cheirosas na gentil verdura; e lá no mar — de flóculos nevados... abre-se um lírio em cada onda pura!

Ai! também na minh’alma abrem-se flores... — Saudades e suspiros — tantos, tantos, que tomam em doce mel os amargores do copioso orvalho de meus prantos!

Porém que importam mágoas e delírio si a saudade nos é tão grata à alma? si em cada ai evola-se um martírio e em cada lembrança a dor se acalma?!

Vem, vem comigo olhar o céu formoso, e agora que a tristeza é doce e meiga; vem escutar, do sabiá saudoso o terno canto no rosal da Veiga!

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