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1854–1932

À STELA CONFIDENTE

Delminda Silveira de Sousa

Se a vida tem gozos nos puros afetos, se há seres diletos que gozam venturas, se a vida tem risos n’aurora dos anos, p’ra mim teve — enganos, sofrer, amarguras!

Sorrisos esp’ranças — meus sonhos mimosos, amores formosos da quadra gentil, ai! foram perfumes... foi nuvem rosada que em fria orvalhada desfez-se sutil!

Se a meiga saudade do tempo passado o seio magoado me vem consolar, eu sofro um tormento d’envolta às doçuras das lágrimas puras que me faz chorar.

Da palma virente dos ledos amores murcharam-se as flores ainda em botão, fanadas as rosas de ternos carinhos, que duros espinhos restaram-me então!

Só tu, meiga estrela, das tardes formosas, nas réstias mimosas de luz divinal, me trazes sorrisos de um anjo saudoso... relatas-me o gozo da vida imortal!

Fujamos, minh’alma, fujamos da terra que as dores encerra do teu padecer! Lá onde fulgura puríssima estrela a vida é mais bela — há riso e prazer!...

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