Se a vida tem gozos nos puros afetos,
se há seres diletos que gozam venturas,
se a vida tem risos n’aurora dos anos,
p’ra mim teve — enganos, sofrer, amarguras!
Sorrisos esp’ranças — meus sonhos mimosos,
amores formosos da quadra gentil,
ai! foram perfumes... foi nuvem rosada
que em fria orvalhada desfez-se sutil!
Se a meiga saudade do tempo passado
o seio magoado me vem consolar,
eu sofro um tormento d’envolta às doçuras
das lágrimas puras que me faz chorar.
Da palma virente dos ledos amores
murcharam-se as flores ainda em botão,
fanadas as rosas de ternos carinhos,
que duros espinhos restaram-me então!
Só tu, meiga estrela, das tardes formosas,
nas réstias mimosas de luz divinal,
me trazes sorrisos de um anjo saudoso...
relatas-me o gozo da vida imortal!
Fujamos, minh’alma, fujamos da terra
que as dores encerra do teu padecer!
Lá onde fulgura puríssima estrela
a vida é mais bela — há riso e prazer!...