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1854–1932

A SÓS FALA DON JUAN:

Delminda Silveira de Sousa

— À flor do coração o espinho mau se gera, A flor é mãe da fruta: um parto, a Primavera! Castelos de ilusão são átrios de tapera... E a fruta vem da flor, que o espinho dilacera.

Reina a flor, não contexto; entanto, a fruta impera; A fruta, não a flor, meu peito quer e espera... Sonhador sensual, num sonho mascarado, Amei, é moda amar; e um luxo ser amado...

Degusto o paladar picante do desejo, Seu rádio em que se queima a energia do beijo... Arco-íris colorido em vago céu de amor Deu-me asas d’avião e garras de condor...

Fui pagem da Esperança — a lúcida cegueira, De que fiz minha noiva, amante, vil loureira... Sedes loucas da vida, ardentes, de canseira, Sorria-as uma a uma, até a derradeira!

Em busca da Mulher, alcei minha alma inteira, Tal, em busca do azul, alçada, uma palmeira! Mulheres encontrei, às dúzias, qual se quer: — onde estará, porém, a única mulher

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