— À flor do coração o espinho mau se gera,
A flor é mãe da fruta: um parto, a Primavera!
Castelos de ilusão são átrios de tapera...
E a fruta vem da flor, que o espinho dilacera.
Reina a flor, não contexto; entanto, a fruta impera;
A fruta, não a flor, meu peito quer e espera...
Sonhador sensual, num sonho mascarado,
Amei, é moda amar; e um luxo ser amado...
Degusto o paladar picante do desejo,
Seu rádio em que se queima a energia do beijo...
Arco-íris colorido em vago céu de amor
Deu-me asas d’avião e garras de condor...
Fui pagem da Esperança — a lúcida cegueira,
De que fiz minha noiva, amante, vil loureira...
Sedes loucas da vida, ardentes, de canseira,
Sorria-as uma a uma, até a derradeira!
Em busca da Mulher, alcei minha alma inteira,
Tal, em busca do azul, alçada, uma palmeira!
Mulheres encontrei, às dúzias, qual se quer:
— onde estará, porém, a única mulher