Dum regato na corrente,
Meiga pombinha bebia,
Ao tempo que ali caía
Uma formiga imprudente.
Ia, naquele oceano,
Afundar-se a desditosa,
Quando a pomba caridosa
Antevendo o fim tirano,
Um raminho, mui ligeira,
Lança à água traiçoeira;
A formiga logo o abraça,
E, daí, trepa à ribeira.
Eis que um farroupilhas passa:
Vê a ave, por desgraça,
E p’ra ceia a quer caçar;
Percebe a formiga a traça,
E morde-o no calcanhar;
O nosso lorpa tonteia,
Voltando presto a cabeça:
Voa a pombinha, depressa...
E com ela foi-se a ceia!