Oito horas da manhã... Oh! que chuva impertinente! Vamos gozar, minha gente, Vida mais grata e louçã.
Adeus, amigos parentes, Até à volta, feliz! Aos que ficavam, já diz Alegre, a turba contente.
Garboso a distância vence O auto que nos conduz: Eis a ponte — Hercílio Luz — Que é glória catarinense.
Monumento portentoso Eternizando a memória Do conterrâneo saudoso Que nos deu progresso e glória.
E o auto voa na estrada Que parece não ter fim, Vamos bem; eu vou assim... Assim, já meio embuchada...
E pergunto a cada instante — Está perto Itajaí? Responde o Zico: é ali... É ali mais adiante...
E a chuva continuava... Já não podia eu sofrer Do auto o estremecer, Os solavancos que dava!
— Parai! — disse, carga à terra, Numa tremenda agonia, Sob a chuva que caía A fazer-nos sempre guerra!
E ali paguei o tributo Da dolorosa homenagem, A celebrar a viagem Que memorável reputo!
Os companheiros, no entanto, Como se em casa estivessem, Conversavam, sem que dessem, Talvez, pelo meu quebranto.
E eu ia bem enjoada Por essa estrada sem fim: O Bonzinho... (alma danada!) Não tinha pena de mim!
Dona Ruth a chupar balas; Bonzinho o berço embalando; Seu Zico a Musa esperando, E eu... eu vendo-me em talas!
Rosária papagueava Otília, já cor de cera, Mas sacude a cabeleira E com todos palestrando!
As cobras vinham à estrada Para saudar-nos, talvez; Uma delas, certa vez, Foi pelo auto esmagada!
— Já estamos em Blumenau? Ansiosa eu inquiria: Seu Zico, o ímpio! Sorria... Bonzinho calava... mau!
Eis-nos, enfim, em Gaspar; Blumenau está pertinho, Um pouco mais de caminho, Lá iremos descansar.
Inda algum tempo sofri Do enjôo a crueldade, Quando avistei a cidade E em paz chegamos ali.
Com quanto alento e alegria Minh’alma dentro de mim “Graças a Deus!” disse, enfim, Chegando à Vila Maria.
O primo Luca e os seus Bondosos nos receberam; Pelo conforto que deram Terão as bênçãos de Deus.
E assim finda-se a viagem Há tanto tempo sonhada; Agora, p’ra retirada Toca aprontar a bagagem.
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