— Ouve, meu Tito: gostas tu, por certo,
De uma aprazível música escutar;
E, quando a ouves, seja longe ou perto,
A alma não sentes de prazer vibrar?
Oh! sinto, sim!... e o gênio peregrino
De Carlos Gomes, por exemplo, admira;
Esse gênio imortal, doce e divino
Que é do Brasil, e a todos eu prefiro!
Oh! como és patriota, meu bom Tito!
O Guarani... é um poema lindo,
Que parece no Céu ter sido escrito
C’o a luz dos astros dum fulgor infindo,
Mas...
Mas... o quê? Beatriz! Achaste
Alguma outra Ópera mais bela,
E outro gênio maior admiraste
Que o sublime criador daquela?
Não! Não é isso que dizer eu quero;
Porém... há uma música tão linda
Um poema sublime qu’eu venero
Que mais me encanta e arrebata ainda!...
Que o Trovador?... Talvez, Beatriz, sonhando,
Ouviste um coro celestial, talvez,
Que o teu ardente coração banhando
De seus encantos presa assim te fez!...
O hino que tem de entusiasmo a palma,
O hino bendito, de sublime ardor,
Escuta-o sempre com prazer minh’alma
Saudando a imagem do seu santo amor.
— De Deus, de nossa Mãe a imagem santa,
Deve ser essa que assim veneras.
Diz-me, Beatriz, esse hino que te encanta
Foi um sonho das tuas primaveras?...
Não, Tito, não. O hino meu, eleito,
Que amor e glória e Liberdade exprime,
O conheces, o guardas no teu peito
E o tens na mente, vivido, sublime,
Belo, imortal, fagueiro...
É — o Hino Nacional!
O Hino Brasileiro!