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1854–1932

A MÚSICA MAIS BELA (Diálogo)

Delminda Silveira de Sousa

— Ouve, meu Tito: gostas tu, por certo, De uma aprazível música escutar; E, quando a ouves, seja longe ou perto, A alma não sentes de prazer vibrar?

Oh! sinto, sim!... e o gênio peregrino De Carlos Gomes, por exemplo, admira; Esse gênio imortal, doce e divino Que é do Brasil, e a todos eu prefiro!

Oh! como és patriota, meu bom Tito! O Guarani... é um poema lindo, Que parece no Céu ter sido escrito C’o a luz dos astros dum fulgor infindo,

Mas... Mas... o quê? Beatriz! Achaste Alguma outra Ópera mais bela, E outro gênio maior admiraste

Que o sublime criador daquela? Não! Não é isso que dizer eu quero; Porém... há uma música tão linda Um poema sublime qu’eu venero

Que mais me encanta e arrebata ainda!... Que o Trovador?... Talvez, Beatriz, sonhando, Ouviste um coro celestial, talvez, Que o teu ardente coração banhando

De seus encantos presa assim te fez!... O hino que tem de entusiasmo a palma, O hino bendito, de sublime ardor, Escuta-o sempre com prazer minh’alma

Saudando a imagem do seu santo amor. — De Deus, de nossa Mãe a imagem santa, Deve ser essa que assim veneras. Diz-me, Beatriz, esse hino que te encanta

Foi um sonho das tuas primaveras?... Não, Tito, não. O hino meu, eleito, Que amor e glória e Liberdade exprime, O conheces, o guardas no teu peito

E o tens na mente, vivido, sublime, Belo, imortal, fagueiro... É — o Hino Nacional! O Hino Brasileiro!

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