Na pet’la da branca rosa caíra a gota mimosa do fresco orvalho d’aurora; a nuvem que o derramou
já pelo Céu deslizou além no ar s’evapora A gota d’orvalho pura do sol aos raios fulgura
na branca pet’la da flor; por entre as rosas ligeira passa a avezinha faceira em busca do mel de amor
À rosa pálida e bela disse: — dá-me, ó flor singela, a doçura do teu seio; oh! dá-me o mel que resume
o amor, a vida que anseio! Mas a branca rosa triste volve assim: — o que pediste, ai! Não há no seio meu!
Aqui só tenho a amargura e entre espinhos, esta pura doce lágrima do Céu! Pois dá-me a gota mimosa
que no teu seio amorosa foi docemente pousar! Sobre a minha doirada Levá-la-ei perfumada
Ao seio imenso do mar! Então a brisa fagueira fez o galho da roseira suavemente bulir,
e a pura gota mimosa da branca pet’la da rosa foi n’asa d’ouro cair. Ligeira a linda avezinha
ao mar o voo encaminha e sobre as ondas pairou; as asas d’ouro rufiando, no mar que gemia brando
a pura gota entornou. Rara concha nacarina como a per’la purpurina de uma flor que o sol abrira,
à doce gota d’orvalho deu no seu seio o agasalho que em vão à rosa pedira. Depois os dias passaram...
as águas do mar gelaram, depois o sol as deliu. Baixa a maré, volve a cheia, e da praia sobre a areia,
que linda concha se viu. Era rosada e mimosa como uma pet’la de rosa, como uns lábios de criança;
tinha no seio guardada uma per’la delicada — do Céu formosa lembrança! Ah, que bendito agasalho
não teve a gota d’orvalho da linda concha no seio que numa per’la preciosa se transformou graciosa
das salsas águas no meio. Só este pranto que verte minh’alma não se converte em lindas per’las, oh! não!
— que a minha lágrima pura embalde, embalde procura a concha de um coração!
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