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1854–1932

A esmola

Delminda Silveira de Sousa

Uma velhinha Mui pobrezinha, Quando eu passava, Junto da escola

Pedindo esmola, Sempre encontrava. Eu nada tinha Que à pobrezinha

Pudesse dar, E, quando a via, Só lhe sorria, Sem lhe falar.

Mas, cogitava... Mas, desejava Dar-lhe um presente, Que lhe agradasse,

E que a tornasse Leda, contente! Todo bordado, (Mui delicado!)

Um avental, Com gosto e jeito, Eu tinha feito Pelo Natal!

Como regalo À velha dá-lo, Logo cismei: Era Natal...

O avental lhe destinei! Mas, no bolsinho, Escondidinho,

Pus — um mil réis; Daquela prata Sonora e grata Que conheceis.

Depois, dobrado, Com fita atado, Num papel fino, Qualquer dissera

Que ele viera Do Deus-Menino. Quando à velhinha, Tão pobrezinha,

Ofereci Essa teteia, Ela receia... Depois, sorri!

Lá, no boisinho Escondidinho, O meu segredo, A pobre o sente,

Toca-o, fremente, Co’o fraco dedo! E seu semblante Vi, radiante

Dum gozo santo! — A esmola dada, Dissimulada, Tem mais encanto!

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