De passeio num campo verdejante
Com o seu professor, um escolar
Dizia, preguiçoso, a bocejar:
— O estudo é cousa maçante!
Do que nos serve tanto trabalhar?...
Cala o reitor. Eis, no caminho,
O nosso estudantinho
Uma cápsula avista, bem fechada,
E de temíveis puas toda armada,
Ia estender a mão para apanhá-la,
Quando o sisudo mestre assim lhe fala:
— Meu pobre filho! — não lhe toques... não!
Porém... por que razão!!
— Pois não vês, mil espinhos inclementes
Que punirão teus dedos imprudentes?!
— Essa cápsula, senhor,
Um fruto encerra, um fruto original!
E pode-se tirá-lo sem labor,
Sem os dedos ferir?... Não penses tal!
— Mas p’ra tão belo achado aproveitar,
Vale a pena sofrer, e... trabalhar!
— Sim, filho, sim; e nisto aprende bem
Do estudo a vencer o dissabor
Pois, como essa castanha, ele contém,
— Um fruto de valor!