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1854–1932

A castanha

Delminda Silveira de Sousa

De passeio num campo verdejante Com o seu professor, um escolar Dizia, preguiçoso, a bocejar: — O estudo é cousa maçante!

Do que nos serve tanto trabalhar?... Cala o reitor. Eis, no caminho, O nosso estudantinho Uma cápsula avista, bem fechada,

E de temíveis puas toda armada, Ia estender a mão para apanhá-la, Quando o sisudo mestre assim lhe fala: — Meu pobre filho! — não lhe toques... não!

Porém... por que razão!! — Pois não vês, mil espinhos inclementes Que punirão teus dedos imprudentes?! — Essa cápsula, senhor,

Um fruto encerra, um fruto original! E pode-se tirá-lo sem labor, Sem os dedos ferir?... Não penses tal! — Mas p’ra tão belo achado aproveitar,

Vale a pena sofrer, e... trabalhar! — Sim, filho, sim; e nisto aprende bem Do estudo a vencer o dissabor Pois, como essa castanha, ele contém,

— Um fruto de valor!

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