Como é triste, à beira-mar,
neste silêncio da tarde,
agora que o sol não arde,
como é triste o meu cismar!
Além — um barco a vogar
nas ondas de anil dourado;
aqui, a desabrochar
branco lírio imaculado.
Ouço um suspiro magoado
de junto a fonte que chora...
é a rola que deplora
o seu amor infeliz!
Ai! de tudo o que ela diz,
de tudo — eu tenho chorado
sem ter, jamais, abrandado
as mágoas nesta saudade!...
Doce amor, doce amizade
porque deixastes-me assim,
sem um olhar de piedade,
sem um suspiro?... Ai de mim!
O lírio murcha por fim
se orvalho o Céu não goteja;
lá nesses mares sem fim
se afunda a vela que alveja.
Ai! — minh’alma é como a flor
é como a vela nas águas!
— Também se afunda nas mágoas,
— também se fina — de amor!