Como a rolinha cansada
de gemer na solidão
já não manda à viração
suspiros da voz magoada,
assim a lira piedosa
— sócia no riso e no pranto —
imersa em fundo quebrando
já não solta a voz maviosa.
Qual no vergel, entre as flores,
Leda avezinha gorjeia
doce canção que recreia,
hino festivo d’amores,
somente as liras felizes
desprendem cantos amenos
como sonhares serenos,
como perfumes de luzes.
Não tem a “mente ditosa”
quem não medita venturas;
quem só vive d’amarguras
em realidade penosa,
e deste fado cruel
compartilhando, entristece
e pesarosa emudece
a lira — sócia fiel!
qu’importa ao mundo feliz
de um triste canto o lamento?
Suspiros... leva-os o vento,
e o mundo ao triste maldiz!
À lira da soledade
— sócia no riso e na dor —
deixai, deixai, por favor,
o repouso, a liberdade!