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1854–1932

À

Delminda Silveira de Sousa

Como a rolinha cansada de gemer na solidão já não manda à viração suspiros da voz magoada,

assim a lira piedosa — sócia no riso e no pranto — imersa em fundo quebrando já não solta a voz maviosa.

Qual no vergel, entre as flores, Leda avezinha gorjeia doce canção que recreia, hino festivo d’amores,

somente as liras felizes desprendem cantos amenos como sonhares serenos, como perfumes de luzes.

Não tem a “mente ditosa” quem não medita venturas; quem só vive d’amarguras em realidade penosa,

e deste fado cruel compartilhando, entristece e pesarosa emudece a lira — sócia fiel!

qu’importa ao mundo feliz de um triste canto o lamento? Suspiros... leva-os o vento, e o mundo ao triste maldiz!

À lira da soledade — sócia no riso e na dor — deixai, deixai, por favor, o repouso, a liberdade!

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