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1854–1932

5 DE DEZEMBRO

Delminda Silveira de Sousa

Faz um ano neste dia em que a mais funda agonia minh’alma riste enlutou. Meu pai! eu via-te extinto...

e do meu viver pressinto todo o horror que o desolou! Que lentos, amargos dias! que horas tristes, sombrias

a sorte me preparava... Sem esp’ranças, sem conforto, meu coração semi-morto de dor, só de dor pulsava!

Lá no remanso funéreo do sombrio cemitério teus pobres restos jaziam; teu nome, em letras saudosas,

era cercado de rosas e das saudações que abriam. Li teu nome desta sorte gravado ali pela Morte,

marcando-te o triste fim, e o pranto dos meus olhos, não caiu, qual sobre abrolhos o doce orvalho... ai de mim?

Ai! não caiu porque, dentro Do coração bem no centro Minh’alma triste e sentida Chorava o pranto cruel

Feito das mágoas, do fel Que hoje compõem minha vida!

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5 DE DEZEMBRO · Delminda Silveira de Sousa · Poetry Cove