Faz um ano neste dia
em que a mais funda agonia
minh’alma riste enlutou.
Meu pai! eu via-te extinto...
e do meu viver pressinto
todo o horror que o desolou!
Que lentos, amargos dias!
que horas tristes, sombrias
a sorte me preparava...
Sem esp’ranças, sem conforto,
meu coração semi-morto
de dor, só de dor pulsava!
Lá no remanso funéreo
do sombrio cemitério
teus pobres restos jaziam;
teu nome, em letras saudosas,
era cercado de rosas
e das saudações que abriam.
Li teu nome desta sorte
gravado ali pela Morte,
marcando-te o triste fim,
e o pranto dos meus olhos,
não caiu, qual sobre abrolhos
o doce orvalho... ai de mim?
Ai! não caiu porque, dentro
Do coração bem no centro
Minh’alma triste e sentida
Chorava o pranto cruel
Feito das mágoas, do fel
Que hoje compõem minha vida!