“Liberdade formosa! Ó meiga Liberdade.
Que nos meus sonhos vens, como doce claridade,
De uma cruel tristeza a nuvem dissipar,
Virgem do meu amor, Visão do meu Cismar,
Escuta de minh’alma a queixa d’amargura
E dá-me lenitivo a essa mágoa dura!
Eu que sou livre e grande, eu que sou forte e bravo;
Como fui reduzido à condição d’escravo?...
Não! — Eu quero ser livre! Eu quero, entre as nações,
Ter honroso lugar, longe destas prisões.
Embora, para tanto, arranque-me do peito
Este meu coração em mil pedaços feito!”
“És livre, és bravo! Oh, sim! Terás nobre vitória
Vencendo a humilhação desta existência inglória!
Sacode o jugo: avante! Ao sol da Independência,
Não mais te oprimirá iníqua prepotência!
Não pode escravo ser o sol alvissareiro
Que vê brilhar no Céu o rútilo Cruzeiro!
Eia! Levanta a fronte, é tempo, enfim, de agir!
A glória já te acena; há louros no porvir!
Toma a livre Bandeira, ergue, altaneiro e forte,
O brado triunfal: — Independência ou Morte!”
“Brasil! — eis a coroa imarcessível
Que é d’heróis galardão imperecível!
A glória ta oferece em recompensa
Ao valor teu, à tua força imensa
Na conquista sublime gloriosa.
Da independência tua, venturosa!
Deixa que a fronte soberana, altiva
Cinja-te a coroa eternamente viva.
Dos louros imortais da tua glória,
A fulgirem nas páginas da História!
— Salve, Brasil! — Pátria de Amor e Luz,
Terra gentil sagrada pela Cruz!
Oh! — Brasil desde o berço abençoado
Pelo Cruzeiro no teu Céu gravado!”