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1854–1932

1° ATO — O DESCOBRIMENTO

Delminda Silveira de Sousa

“— Navegador ilustre, ó bravo lusitano Que perlustraste, audaz, o temeroso oceano, Ao ignoto arrancando esta formosa terra, Ante essa maravilha os lábios teus descerra,

Dize-me, ó bravo, dize o belo nome ideal Com que hás de apresentá-lo ao rei de Portugal, Pois conhecê-lo deve a Universal História. E registrá-lo aqui, — penhor da lusa glória.”

— Para honra de Deus e nova glória Da fulgurante lusitana história, “Por mares nunca dantes navegados” Rota seguimos à mercê dos Fados.

Um dia... Oh! venturoso e fausto dia! Ao ocidente, longe, aparecia De uma montanha a leve sombra, incerta; O marujo da gávea, sempre alerta,

Não mais pôde conter no coração O grito de alegria e gratidão: — Terra! Terra!, bradou; e quando a brisa Que os ares corta e a flor das águas fresa,

O branco véu das brumas dissipou, Esta formosa terra se mostrou! Que nome lhe hei de dar?... si a nomeasse Terra de Vera Cruz, ou si a chamasse

— de Santa Cruz, é certo que honraria Da Cruz bendita o memorável dia. Porém, vede esta mata senhoril Por Deus composta só de pau-brasil,

— Madeira que dá tinta preciosa Cor do sangue que é vida esperançosa! — Brasil eu chamo a bela região Que a forma tem gentil dum coração!

Sim; Brasil seja! Entanto adormecido Ele vegeta aqui, desconhecido, Inculto... Oh! vamos despertá-lo, E, pela História, ao mundo apresentá-lo.

Brasil, desperta, A voz escuta Que do trabalho Te chama à luta.

Brasil, és forte, Vem, pressuroso: — Serás amado, Serás ditoso!

De Portugal A mão te estende, Seu gesto amigo, Brasil, atende!

Brasil, avante! Na grande História Verás teu nome Brilhar de glória!

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